sábado, 22 de maio de 2010

JONNY JAZZY FANTAZY EFX

JONNY, ou Alexandre Patriarca, é um músico que tem um trabalho autoral e combativo no que diz respeito a livre produção e autonomia de distribuição de arte/informação. Após um hiato de alguns anos em que se voltou para os estudos de antropologia nas USP, retornou com sagacidade em um show hipnótico no templo do noise carica, o Plano B na Lapa, onde os presentes foram agraciados com seu repertório de hard psicodelía urbana. Confira o percurso lisérgico do irriquieto e prolífico músico Jonny:


1) Quando você  começou a se interessar pelo universo da música?
Desde muito pequeno, com 7 ou 8 anos de idade, comecei a aprender a tocar violão e, lógico, a cantar canções populares. Morava em Belém do Pará, onde meu pai testava trabalhando. Também adorava batucar no sofá quando ouvia rock e samba. Eu tinha um amigo, um vizinho, que também tocava e cantava, o Carlos Leal, e lembro que desde pequeno nós cantávamos na rua, em escolas, era muito divertido. E acho que aprendi a “ouvir” música, a ouvir diferentes estilos musicais, em casa, meus pais ouviam de tudo, de samba a musica clássica, incluindo Roberto Carlos, Martinho da Vila, Beethoven, Bach, etc. E eu ouvia por “osmose” até mesmo a musica regional do Pará, como o Carimbó, e a Música Brega dos anos 1970 e 80, e até mesmo sons do Caribe, que fica ali pertinho do Pará, entre outros estilos. E tinha o programa do Chacrinha, muito divertido, onde tocava de tudo! Cresci num ambiente, tanto familiar quanto nas rodas de amigos, onde ouvíamos de tudo, mas basicamente dentro do universo da musica popular brasileira e da musica comercial norte-americana. Fui conhecer estilos musicais mais alternativos, e até “subversivos”, somente na adolescência. 

2) E como você  se interessou pelo chamado rock’n’roll?
Eu ouvia rock’n’roll desde pequeno, mas para mim era apenas mais um estilo que fazia parte da minha rica experiência de ouvinte musical na infância. O primeiro disco de rock que ganhei foi “The Wall”, do Pink Floyd. Somente após os 13 anos de idade comecei a me interessar pelo rock. E aí fui aprender a tocar bateria, montar bandas na escola, e fui aos poucos conhecendo a rica história do rock americano e inglês, e do rock brasileiro, especialmente Os Mutantes, mas também o Clube da Esquina.
Até chegar ao Punk, o Pós-Punk, e aos estilos e bandas dos anos 1980, que realmente fizeram a diferença para mim: The Smiths, The Cure, The Clash, Cocteau Twins, Echo and the Bunnymen, etc. e etc., são tantas bandas e artistas, é até injusto eu citar 3 ou 4 e deixar de falar de outras 30 que foram marcantes para mim. Depois até ouvi algo do Hard Rock dos anos 70, bandas que fizeram história, mas meu forte mesmo são aquelas bandas lisérgicas, obsessivas, meio “depressivas” dos anos 1980. Bom, sou muito fã do Jimmy Hendrix, acho que foi um grande artista e não se encaixa em nenhum desses estilos que citei acima, pois ele fazia musica “Pop” mas era extremamente ousado, experimental, gutural. 


2a) Quais suas influências literárias?
Hum... pergunta difícil. Leio tanto, e sobre assuntos tão variados, que fica difícil citar algo específico. Bom, quando criança, lia muito os livros da Coleção Vaga Lume, adorava: “Éramos Seis”, “Noites Tapuias”, etc. Depois passei a ler Érico Veríssimo, Jorge Amado, Machado de Assis... nossa, são tantos autores da literatura brasileira.  
Eu costumo ter fases de leitura. Nos anos 90 comecei a ler sobre assuntos como drogas, os movimentos alternativos dos anos 1960, pensamentos alternativos. Depois entrei para leituras Anarquistas, o mundo dos fanzines e das teorias alternativas sobre política e sociedade... E mais tarde, quando entrei na faculdade, para estudar Ciências Sociais, passei a ler basicamente sobre Antropologia, Sociologia e Filosofia Política, coisas que adoro, assim como livros de História. Recentemente tenho lido muito Filosofia, especialmente Platão e os filósofos estóicos, entre outros. E sempre li muito literatura francesa e americana: Marquês de Sade, Ernest Hemingway, etc. Ah, os escritores “beatniks” americanos, como Kerouac, William Burroughs, li muito. Bom, estou sempre lendo, no ônibus, no metrô, durante viagens de ônibus, de avião, e leio coisas muito diferentes, tanto “ficção” quanto “não-ficção”, ou seja, tanto romances quanto livros mais “científicos”. 
3) Como foi viver em São Paulo nos anos 80? Que lugares noturnos você freqüentava?
São Paulo nos anos 80 tinha uma cena muito interessante, tanto de bandas quanto de casas noturnas. Havia as “Danceterias”, que foram moda e sempre havia boas bandas tocando. Eu ia muito ao Espaço Retrô, uma casa que fez história em São Paulo. Mas havia também Madame Satã, o Aeroanta, entre outras. E as famosas bandas paulistanas dos anos 80... toda a cena era muito interessante, os punks, as tribos de Rockabilly, musica “Dark”, pós-punk, experimentações... 

 

4) Como foi sua experiência de tocar em Nova York, pelo sonhos do rock, tocar no CBGB’s?
Fui para Nova York realmente atrás de novas experiências, poder viver em uma cidade realmente cosmopolita, e tocar rock. Naquela época São Paulo e Rio, e o Brasil de forma geral, ainda eram um pouco “atrasados” no que se refere à cena de rock, porque tudo era muito distante, o Brasil ainda era um pais meio desorganizado (economia, política, etc.), não havia instrumentos e equipamentos bons disponíveis, e a preços decentes, e acho que os músicos da época sofriam muito com isso no Brasil; mas havia muitas bandas boas aqui é lógico. Então cheguei em Nova York com uma mão na frente e outra atrás. Foi difícil mas muito divertido, foi a melhor experiência da minha vida, a mais rica. Comecei a trabalhar de garçom para pagar as contas, e passei a procurar oportunidades para tocar, quando vi um anúncio em jornal de uma banda, chamada Classic Example, que procurava um baterista. Fui fazer um teste, uma audição, e fui convidado para tocar na hora. E começamos a ensaiar, a banda era interessante, típico rock americano, com uma vocalista iugoslava, um guitarrista “red neck” do Sul dos EUA, e um baixista gordinho e envolvido com artes plásticas. Uma típica banda alternativa americana. Gravamos uma demo que tenho até hoje. E tocamos no famoso CBGB’s, a lendária casa noturna de punk rock e estilos bem alternativos que fez história em Nova York e no mundo. Toda aquela geração de bandas americanas e inglesas do final dos anos 70 e anos 80 começou lá: Television, Ramones, etc.
Bom, acontece que depois de um tempo eu tinha vontade de sair em turnê com a banda, naquele esquema bem independente, pegar uma Van e sair tocando  pelos pubs do interior dos EUA, a cena universitária, coisas assim. Mas o guitarrista e a vocalista do Classic Example eram casados, tinham uma vida já estabelecida, aquela coisa “apartamento, emprego, salário, compromissos”, e não estavam dispostos a sair tocando na loucura. Então como eu estava meio cansado da vida de “imigrante”, além de estar começando a tocar guitarra e a compor mais intensamente, decidi voltar para o Brasil, porque aqui eu poderia ser mais vagabundo e me dedicar quase exclusivamente à musica. E foi o que fiz. 
5) Como foi iniciado o Projeto Trap?
Quando voltei de Nova York, em 1990, estava decidido a montar minha banda. E conheci o baterista, Eddie Holzmann, através do baterista e percussionista Dinho, um grande músico de São Paulo. Felizmente eu e o Eddie tínhamos os mesmos gostos musicais, aquela praia de bandas inglesas, rock alternativo. O Eddie depois chamou o Alex di Pietro, que era cunhado dele na época, para tocar baixo. E nos tornamos um “power trio’. E começamos a ensaiar e tocar. Mas o melhor momento do TRAP veio depois, quando o Eddie e o Alex já tinham saído da banda. Na verdade, todo o processo de gravar o primeiro CD da banda foi muito desgastante e tenso, e a formação original acabou se desfazendo. Havia diferenças muito profundas entre nós sobre o que fazer, que rumo tomar. E foi quando o TRAP ganhou sua formação que produziu mais resultados em termos de divulgação, turnês, etc.: eu na guitarra e voz, Renato Patriarca (guitarra e voz), Thiago Nistal (bateria), André Corradi (baixo), e Felipe Vasquez (percussão).


6) Como foi a criação da música “Heaven” do CD “Outside”?
Uma longa história. Quando eu morava em Nova York tinha um vizinho brasileiro que estava em estado avançado de AIDS, ou do que dizem ser essa doença, pois não acredito muito na teoria oficial sobre a AIDS. Lógico, ele era gay, mas mesmo assim, e por que não?, fiz amizade com ele, ia sempre lá conversar e ouvir as estórias que ele tinha para contar, pois morava nos EUA havia mais de 10 anos. E acompanhei toda aquela trajetória, ele ficando cada vez pior, se entupindo de remédios muito fortes, e o corpo em completa degradação, definhando lentamente... Algo realmente muito triste, ainda mais considerando que acredito, como disse antes, que as teorias oficiais sobre as causas da AIDS são um tanto mentirosas, e os remédios que prescreviam na época verdadeiras “bombas de efeito retardado”, matavam mesmo os pacientes...  Mas isso é outra história. Daí que esse amigo veio a falecer, e eu decidi compor uma canção em homenagem a ele e à minha experiência de acompanhar tão de perto uma situação que na época estava na mente de todos, a tal doença...  
6a) alguma influencia da banda The Smiths em seu trabalho?
Todas as influências possíveis!!! Eu simplesmente amo as guitarras e composições do Johnny Marr. Acho que ele é um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Toda a banda era maravilhosa, uma excelente combinação de músicos que deu muito certo. E sem falar das letras do Morrisssey. Para mim, foi realmente uma das maiores bandas de sempre! Eu aprendi muito ouvindo e tocando as músicas e principalmente os “riffs” de guitarra do Johnny Marr. Como guitarrista foi uma das minhas maiores influências, ao lado do Jimmy Hendrix.


7) Como foi a gravação e prensagem dos CDs do TRAP, visto que você foi um dos pioneiros no Brasil a gravar com softwares de som em casa?
Bom, o primeiro CD do TRAP nós gravamos em estúdios convencionais, por volta de 1993/1994. Tive muitos problemas com técnicos de estúdio, e arrumar grana para pagar estúdio, isso tudo, foi realmente traumático para mim na época. Isso quando já despontavam os computadores pessoais e uma promessa de poder usá-los para gravar música, como realmente se faz hoje. Bom, depois de tal experiência traumática, eu jurei para mim mesmo que nunca mais me submeteria àquilo: músico independente, pouca grana, com o sonho de gravar um CD, e completamente vulnerável aos humores e às boas e más intenções de supostos “profissionais”, os tais técnicos de estúdio. Então, por volta de 1996/97, quando ficou claro que dava sim para gravar CDs em casa, comprei a briga. Na época eu usava um computador Pentium II, e o TRAP ganhou um cachê tocando em um festival promovido pelo SESC em São Paulo. Compramos uma boa placa de som, e desde então nunca mais abandonei a música em computador. Assim, em 1997/98 gravei o CD “Buy” quase todo no computador. O CD foi lançado nos Estados Unidos pelo selo “indie” J-Bird Records. Acredito que fomos uma das primeiras bandas do mundo a gravar um CD totalmente em computador; para ser mais exato, apenas as baterias nós gravamos em um estúdio, depois colocamos as faixas da bateria no computador, e todo o resto, guitarras, baixos, teclados, incluindo mixagem, fizemos naquele Pentium II! Todos os meus outros CDs desde então, com os projetos EFX Luna e Autobamba, por exemplo, foram gravados usando computador, softwares de gravação, tudo feito em casa, com calma, do jeito que gosto. 
7a) Você fez a trilha sonora de um filme do Petter Baiestorff? Como foi trabalhar com ele?
Foi uma experiência muito boa! Sinceramente, nem convivi muito com o Petter Baiestorff. Apenas trocávamos cartas, e nos encontramos uma ou outra vez em São Paulo e em Porto Alere. E ele me enviou o material do filme, algumas imagens ainda não editadas (que na área do cinema eles chamam de “copião”), o roteiro, etc... Fiquei muito empolgado! E eu sentava em frente à TV e ficava vendo as imagens e tocando violão e guitarra, compondo. Gravamos umas 13 músicas, foi realmente uma delícia todo aquele processo de compor e gravar para cinema. O filme se chama “Caquinha Superstar a Go-go”, e lançamos também um CD com a trilha. Gostaria muito de fazer mais trilhas para cinema. 

 



8) Vocês excursionaram bastante na segunda metade dos anos 90. Alguma lembrança que valha a pena lembrar?
Nossa, são tantas lembranças!!! Nem dá para contar todas, obviamente. As melhores lembranças eram as viagens em si, conhecer pessoas e lugares diferentes, e toda a riqueza da cena musical brasileira, no nosso caso a cena alternativa... Nossa, quantas bandas boas havia no Brasil, e hoje elas estão melhores ainda! Tocamos em Goiânia, Brasília, São Luis, Fortaleza, Belém, Maceió, Salvador, no Sul, no interior de São Paulo...
Bom, uma experiência marcante foi que sofremos um baita acidente na estrada entre Fortaleza e Aracaju, em pleno sertão pernambucano, na “zona da maconha”. Estávamos na maior correria, o acidente foi de madrugada, a nossa van saiu da estrada e foi comendo chão dentro de uma fazenda até parar coladinha em uma árvore! Por sorte ninguém se machucou, e foi muita sorte mesmo, poderíamos ter todos morrido ou coisa pior! No final, ainda conseguimos chegar a tempo em Aracaju e fazer um show que, se não foi dos melhores, foi muito aplaudido porque todos estavam entusiasmados por saber que mesmo após o acidente ainda chegamos a tempo, e subimos praticamente direto no palco!



9) E o movimento dos fanzines? Alguma boa lembrança?
Nossa, são tantas boas lembranças!!! Basta dizer que o conheci figuras excelentes como Ramon de Castro, Altieres Frei, Jorge Rocha, entre inúmeros outros. Com o Altieres até toco hoje em um projeto muito bom chamado Autobamba. Foi uma das melhores coisas que fiz na vida começar a me corresponder com fanzineiros. Além dos fanzines serem um meio excelente para troca e divulgação de informações sobre os mais variados temas, todos aqueles contatos nos abriram muitas portas. Foi graças aos fanzines que pudemos tocar pelo Brasil todo. Hoje em dia vivemos a era dos blogs, do mundo digital, e sinto muita falta daquela papelada toda! De certo modo, o mundo digital acabou com aquele romantismo, e até heroísmo, que havia no mundo dos fanzines. E conheci um outro lado do Brasil, pois vi que independente do lugar onde as pessoas moravam, e da situação sócio-econômica de cada um, você percebia que o Brasil estava cheio de pessoas muito inteligentes, bem informadas, lutadoras, sensíveis, humanas, de bom coração...  Para quem estava acostumado a ver as coisas pelas “mídias oficiais”, foi uma sensação muito, muito gratificante, abriu muito minha cabeça.


9a) Você curte alguma coisa de quadrinhos?
Eu já li muito quadrinhos. Adorava as revistas “Animal” e “Víbora” (espanhola). E li alguns dos quadrinhos daqueles grandes autores gringos, mas não lembro o nome de nenhum deles. Bom, o italiano Hugo Pratt é um dos meus favoritos. Adoro também “Asterix”. Li muito também os nacionais, Angeli, Laerte, e o Mutarelli é sensacional. Nos fanzines também sempre havia quadrinhos, uns bons, outros nem tanto, mas na média muito interessantes. E eu simplesmente não consigo gostar de estórias de super-heróis, e prefiro aquelas estórias mais “dark”. Na verdade, ler quadrinhos não é o meu forte, prefiro mesmo é ler livros e ver filmes. Mas acho que os quadrinhos são uma mídia fantástica, sem igual. 

10) Como foi trabalhar com seu irmão Renato Patriarca, visto que ele também é músico e tem larga experiência em produção musical?
Foi muito bom. Quando ele entrou no TRAP deu um baita impulso à banda. Fizemos muitas coisas juntos, todas aquelas turnês pelo Brasil, os CDs que gravamos, etc. Mas depois seguimos caminhos diferentes. Ele foi para Londres estudar técnicas de gravação, e eu fui fazer faculdade de Ciências Sociais, na USP, em São Paulo mesmo. Hoje ele trabalha em estúdios, e está mais dedicado à música eletrônica, ao Techno, virou DJ, aquela coisa de pista, dançar... Eu continuei a explorar esse mundo do rock alternativo, mas lógico também buscando influências na música eletrônica, porém não necessariamente para dançar.  

11) Como foi essa incursão pelo universos da música Ambient?
Bom, sou apaixonado por música Ambient. Aquelas texturas, o clima, os timbres dos instrumentos, você combinar sons de teclado com sons naturais, tudo isso me encanta como ouvinte e como músico. Eu realmente gostaria de fazer um CD, ou vários, de música Ambient, e o meu projeto se chamaria “Ambient Trap”. Mas meu tempo anda curto, estou envolvido com vários projetos (EFX Luna, Autobamba, Lowjazz, André Revolver, etc..,) e não tenho conseguido me dedicar a esse estilo como gostaria. Mas no futuro, com certeza, em breve, espero lançar bastante materiais.

 



12) O que pretende ser o Autobamba Records?
O Autobamba Records é  o meu selo, para divulgar e promover os meus projetos pessoais e os projetos de amigos. Estou construindo uma página na Internet para o selo (www.autobambarecords.com.br), terá bastante material. Mas é um processo lento, não sou “web designer”. O selo até já tem um lançamento “oficial”, o CD “Balançorium Iradus”, de um grupo meio pop/experimental de São Paulo, chamado Intifai (www.myspace.com/intifai). 





13) O que é o EFX Luna?
EFX Luna é de certa forma uma continuação do TRAP, porém é um projeto solo. É onde boto para fora minha musicalidade peculiar, meus gostos pessoais, minhas composições e experimentações. A idéia é que o EFX Luna combine meu lado roqueiro alternativo com meu gosto pela música eletrônica mais experimental, tudo com muitas guitarras, teclados e o que vier na cabeça. Na verdade, o projeto pode incluir qualquer estilo musical com o qual eu esteja envolvido, pois até um Samba meio eletrônico/experimental, chamado “Tudo”, eu gravei recentemente no estúdio do MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo, para o projeto Estúdio Aberto LABMis.

 


14) O que você acha da legalização dos alteradores de consciência?
Acho que trata-se de um assunto muito delicado que merece uma ampla discussão séria, honesta e profunda. Acredito que essa política de repressão que há décadas é desenvolvida no Brasil e em outros países, muito por influência dos EUA, é um tremendo fracasso e um erro que tem custado muita dor e sofrimento a muitas pessoas, e principalmente às comunidades mais pobres e vulneráveis do Brasil. Um terror!
Bom, vamos colocar os pingos nos “is”: Se pensarmos em termos históricos e antropológicos, é mais do que evidente que em todas as eras e todos os lugares do mundo, sempre houve consumo por seres humanos de substâncias que alteram nosso estado de consciência. E por que? Porque temos 5 sentidos, toda a nossa relação com o mundo se baseias nas sensações produzidas pelos nossos 5 sentidos, e sabemos que a realidade é muito mais complexa do que as percepções produzidas por tais sensações. E o sentimento de que há algo que transcende nossa percepção é natural ao ser humano, e é secular, faz parte das culturas humanas há milhares e milhares de anos. Acredito que seja essa busca pela transcendência, a busca por algo maior que nos une ao Universo como um todo, a busca por um certa idéia agnóstica de Deus como o “Todo”, enfim, acredito que a busca pela união, pela comunhão com algo muito maior que a nossa realidade terrena, seja a principal motivação para o uso secular pelos seres humanos de substâncias que alterem nossa consciência “normal”, cotidiana. E não há nada de errado nisso. 
Tenso dito isto, é  lógico que não concordo com o uso descabido, irracional, deletério que se faz hoje em dia das chamadas “drogas”. Há toda uma cultura hedonista, da busca do prazer pelo prazer, da “piração”, que estimula o uso desmedido de certas drogas. É óbvio que há pessoas com problemas, é lógico quer há famílias sofrendo e comunidades sendo arrasadas pelo uso exagerado de determinadas substâncias, e pela violência e corrupção que isso produz. Mas acredito firmemente que a melhor maneira de lidar com isso hoje seria tratar o assunto no âmbito da saúde, e não da repressão. E, portanto, seria muito interessante discutirmos se não valeria a pena descriminalizar certas substâncias consideradas mais leves, para quem sabe eliminarmos, aos poucos, dois dos maiores problemas que a sociedade brasileira enfrenta hoje, no que se refere ao assunto “drogas”: a violência associada ao tráfico, e a corrupção policial, o crime organizado, etc. 
Sou a favor que discutamos tudo isso, sou a favor de descriminalizar certas substâncias consideradas mais leves, e sonho com o dia em que nossa sociedade consiga pelo menos mitigar muitos dos terríveis problemas que enfrentamos atualmente quando o assunto é tráfico e consumo de substâncias proibidas.



 5) Alguma mensagem para os leitores do Favo de Fel?
Meus amigos, que vocês continuem despertos, acordados, críticos, incomodados. Que vocês leiam bastante, todo tipo de livros. Que vocês ouçam e produzam sempre música que seja verdadeira, sincera. Que nunca esqueçam o quão importante são o diálogo, a compreensão, o entendimento. E que todos vocês sigam sempre em paz, no caminho do bem. E vamos jogar toda a porcaria do mundo na lata do lixo através de nossas ações, de nossas palavras, e da nossa arte.

 
Alguns links:



AUTOBAMBA RECORDS:


  Vídeos:
O CANAL DO EFX LUNA NO YOUTUBE: http://www.youtube.com/user/efxluna

E VÍDEOS DO EFX LUNA AO VIVO NO PLANO B/LAPA/RIO 2009:
“While We Dance”:
“Go, Baby Grow”:
“Bebê”:
“Politics”:
“After Mars”:
“Reversor”:
“FDP”:
 “No News, No Kills”:
“DC10 Rio x SP”:
“Cats”:
“Cidade do Inferno”:
“Pretentious”:

E O VÍDEO CLIP DA CANÇÃO “AUTOMÓVEIS” FEITO POR JONNY/ANA TATSUMI/JC ANJOS:

 Resenha da época da banda TRAP:
TRAP tem tocado em todo o país (de Belém a Porto Alegre) e participado de inúmeros festivais de rock desde 1992, e lançou 3 CDs até o momento (todos os CDs produzidos por Jonny – veja lista abaixo).
A TRAP construiu seu público através da grande rede de fanzines e revistas independentes publicados no Brasil, incluindo extensa veiculação em programas de rádio. Resenhas e artigos sobre a banda aparecem com mais intensidade na "grande" imprensa principalmente após o lançamento do mais recente CD da banda, "BUY", de 1998/99.
A TRAP tem feito uma música melódica, psicodélica, com "punch" e experimentando com linguagens musicais de influência não só do rock/pop inglês e americano, mas também da rica e criativa música popular brasileira. Resumindo, a TRAP/Jonny Trap faz um rock/pop universal e internacional com letras em inglês e português – música para a era das viagens rápidas e da comunicação eletrônica.
O próximo projeto a ser produzido pelo Jonny deverá incluir música eletrônica sintetizada, para acrescentar uma cor diferente ao já extenso leque de experimentações e "viagens" típicas do trabalho da banda


O selo Autobamba records lançou a coletânea Favo de Fel Sounds, baixe clicando aqui!












Um comentário:

  1. ainda não consegui ler! mas parece muito boa, muitissimo completa!

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